Visualizações de página

sábado, 27 de outubro de 2012

Análise Antropológica do filme Avatar



Evelyn Marcélin Garcia de Oliveira
O filme Avatar retrata sob o ponto de vista antropológico, não somente a forma como povos nativos foram reprimidos, ameaçados e extinguidos física e culturalmente pelos povos de cultura branca dominante, como também todos os outros choques culturais que ocorrem quando dois povos de culturas diferentes entram em contato, seja com consequências e/ou objetivos positivos, como no caso do soldado Jake e dos cientistas, que buscavam aprender e ensinar de forma que as culturas se compreendessem; ou sendo de forma negativa, como a empresa e os soldados que acreditavam que a cultura e até os próprios nativos, eram inferiores a eles, que apenas atrapalhavam o progresso e os lucros e deveriam sair do caminho, fosse por bem ou fosse por mal, não se preocupando em destruí-los e a todo o mundo social deles.
O mundo contemporâneo capitalista tem o péssimo hábito de subjugar uma cultura de forma fria, insensível e imprudente se esta encontrar-se no caminho de seus lucros, entretanto, este hábito não é nada moderno e sim infinitamente antigo e pertencente à humanidade. O ponto de vista financeiro cegou os homens, a ponto de que eles esquecessem que coexistem com a natureza e as outras culturas, de uma forma que deveria ser harmoniosa e não destrutiva, o etnocentrismo a meu ver, é uma consequência da interiorização e individualização do próprio homem.
Deixou-se de compreender algo que os nativos compreendiam, com a industrialização e as regras sociais da civilização, perdeu-se a ligação com a natureza, a essência primordial da própria vida humana, e por perder esse laço primitivo, desfez-se também o respeito por ela. É como se o homem se achasse o “ser supremo” que pode dominar e subordinar todos os outros que são considerados primitivos e inferiores, e se esquecendo de que tudo em nosso planeta é estabelecido de acordo com um equilíbrio, para os Na’vi este equilíbrio era mantido pela divindade Eywa, e se este equilíbrio for quebrado, todos, inclusive o homem, será afetado pelos seus efeitos, pois apesar de não termos uma “divindade” identificada que nos salvará imediatamente, a natureza irá trabalhar para reestabelecer seu equilíbrio como sempre faz, e uma pequena mudança na natureza têm efeitos catastróficos na cadeia de seres vivos que dela dependem, como o homem. Obviamente, essa característica do homem não é amplamente generalizável, apesar de ser muito comum nos dias atuais.
O próprio laço entre os indivíduos humanos pode ser considerado rompido de certa forma, pois com a busca incessante pelo eu interiorizado, rompe-se o laço de ligações entre os próprios humanos, o bem estar não é mais coletivo, como era para alguns povos nativos e sim interiorizado e individualizado, o único bem é o que recai sobre o individuo e, algumas vezes, sobre uma ligação bem limitada de pessoas que os cercam. Ele não se vê mais simplesmente como uma “pessoa” e sim como um “indivíduo”, sendo assim, os laços que os cercam são aqueles escolhidos por ele, que lhe agradam e essa possibilidade de seleção torna o homem, muitas vezes, avesso a aquilo que não agrada, já que ele tem a opção de não conviver com isso. Desta forma, quando ele é obrigado a conviver com culturas que se opõe, já existem inúmeras barreiras e mecanismos de defesa contra ela, dificultando a abertura para novos relacionamentos culturais.
No texto “Avatar e a Antropologia” que nos foi disponibilizado, o autor comenta que o diretor do filme, manifestou uma visão preconceituosa quando colocou um branco para organizar o contra ataque nativo, como se quisesse demonstrar que os nativos não eram capazes de se organizarem sozinhos. Entretanto, em meu ponto de vista, discordo dessa afirmação e acredito que o diretor teve uma visão integralista, de que se unindo duas culturas diferentes, o homem tem a oportunidade de chegar muito mais longe em sua conquista, de se tornar um ser mais sábio e forte, do que se sobrepondo uma cultura a outra, pois o personagem Jake, para assumir o controle da organização da batalha, inteirou-se dos métodos, da cultura e do conhecimento Na’vi, trabalhando junto a eles e possuindo a grande vantagem de ter pleno conhecimento da cultura e dos métodos dos brancos, o que o tornou um adversário muito mais forte, pois pode passar esses conhecimentos para os nativos de forma que eles também os compreendessem, ao contrario dos brancos que não conheciam plenamente e sequer compreendiam os métodos de batalha dos nativos.
Logo, o filme Avatar é motivo para muitas discussões positivas se analisado com mais profundidade, ele faz com que as pessoas raciocinem sobre o modo com agem na sociedade, às vezes até de forma inconsciente, e mostra o outro lado, a outra cultura, o lado que muitos sequer se dão ao trabalho de analisar e tentar entender e o principal, aprender com ele, pois toda cultura, por mais divergente que possa parecer da nossa, sempre tem algo a ensinar, uma visão de mundo que tem um motivo para existir e por tanto deve ser respeitada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário